Friday, February 10, 2017

Opinião "Nem todas as baleias Voam" de Afonso Cruz | Companhia das Letras


Olá queridos leitores!



Sinopse:

Em plena Guerra Fria, a CIA engendrou um plano, baptizado Jazz Ambassadors, para cativar a juventude de Leste para a causa americana. É neste pano de fundo que conhecemos Erik Gould, pianista exímio, apaixonado, capaz de visualizar sons e de pintar retratos nas teclas do piano. A música está-lhe tão entranhada no corpo como o amor pela única mulher da sua vida, que desapareceu de um dia para o outro. Será o filho de ambos, Tristan, cansado de procurar a mãe entre as páginas de um atlas, que encontrará dentro de uma caixa de sapatos um caminho para recuperar a alegria.


Opinião:

Este é o primeiro livro que leio de Afonso Cruz. Não foi por falta de oportunidades, simplesmente nunca ninguém me tinha falado particularmente bem, ou falado sequer, das suas obras. Nunca tive amigos muito chegados à literatura antes, e desde que comecei este projeto que fiquei a conhecer muito mais e variadas obras de literatura. Sinto-me grata por isso e sinto um verdadeiro orgulho por poder dizer que temos no nosso país, um dos melhores escritores da atualidade. 

Tenho tantas palavras na minha mente que poderiam descrever este livro, que chego àquele ponto em que digo: "Nem tenho palavras para descrever esta obra". Ora, claro que vos vou dizer o que achei e o porquê de este ser o livro mais aterrador, maravilho e desconcertante que já li em toda a minha vida. É sem dúvida alguma, um dos melhores livros que já li.
Se para descrever a história disser estas palavras: 
Um pianista que sente a música em todas as coisas, um rapaz que vê sentimentos, um homem de chapéu cinzento que trabalha para a CIA, uma mulher que se prostitui por causa de Bach, um homem que é coxo por causa de uma dor emocional, um escritor anónimo que para escrever os seus contos, faz algo inimaginável, etc.
Certamente que deve captar algum interesse ler esta breve descrição. O trailer contém algo parecido com o que descrevi. Foi um dos elementos que me cativou a ler este livro:  



Todas estas personagens são belas e únicas. Não há história nenhuma, que eu conheça, que pegue em personagens tão aprazíveis como estas. 

'Nem todas as baleias voam' não é um livro fácil. Ou melhor, não é um livro rápido de se ler. Estive horas e horas a contemplar as maravilhas deste livro, as palavras que são tão deliberadamente escolhidas, que nos fazem comover e transportar para um mundo tão surreal, e ao mesmo tempo,  tão real... Um mundo em que apenas os músicos de jazz não "pintam os lábios da realidade (...) nem lhe deram banho nem a levaram ao cabeleireiro: exibiram-na na sua crueza, nudez e pobreza,  e fizeram muito bem, porque só assim se consegue mudar alguma coisa."
A escrita é tão bonita que nos leva a sorrir, a suspirar e a lacrimejar. 

Erik Gould, com toda sua sensibilidade toca melodias que representam objetos, sentimentos, sonhos e principalmente o amor que tem pela mulher. Este amor é palpável em toda a história e está sempre lá até ao fim. É pena que este amor, que Gould consegue transmitir através do piano, não possa realmente corar o mundo dos seus males e injustiças. 
O filho, Tristan também é uma personagem notável! Não sabe transmitir com tanta precisão os sentimentos, mas consegue vê-los, como fantasmas que deambulam entre as pessoas e as ruas. Há uma passagem do livro que guardo comigo e que descreve bem a pessoa que Tristan é. "Se Tristan soubesse verbalizar as duas emoções, seria assim: Estou à espera de que a felicidade comece a crescer (...) estou à espera de um beijo daqueles que são dirigidos a uma pessoa, e não daqueles que se dão a pensar em alguém que está longe, estou à espera de que o dia chegue ao fim e que não comece outro, porque os dias são uma chatice."
Posso preencher mais de 5 páginas cheias de frases retiradas do livro. Podia fazê-lo porque é mesmo algo que deve ser escrito, reescrito e proferido pelas pessoas. 
Leiam este livro para sentirem o que eu senti, para poderem chorar e rir com estas passagens, para se sentirem mais vivos... A música fazia isto a Gould. Como é dito no livro, a literatura e a pintura não conseguem fazer as pessoas dançar, mas acho que estamos perto de atingir algo único ao ler este livro. Afonso Cruz é um escritor maravilhoso e espero poder ler mais algumas das suas obras. 




A minha classificação:




Este livro foi gentilmente oferecido pela Companhia das Letras para opinião honesta.







10 comments:

  1. Uau! A tua opinião fez com que ficasse a desejar ler este livro o mais rápido possível! :D

    ReplyDelete
    Replies
    1. Que bom! Espero que lhe dês uma oportunidade. <3

      Delete
  2. Os autores portugueses não são os meus preferidos, mas tenho ouvido falar tão bem deste livro que estou mesmo curiosa.

    ReplyDelete
    Replies
    1. Olá. Antes também não lia muitos livros de autores portugueses mas acredita que há excelentes livros! Este livro de Afonso Cruz é capaz de te renovar o interesse :)

      Delete
  3. Já li um livro de Afonso Cruz e gostei bastante, da escrita, da história desconcertante, das voltas que a mesma deu. Agora ainda fiquei mais curiosa para ler este, depois de ler a tua opinião sobre "Nem todas as baleias voam". Mais um que terá de entrar na minha wishlist...
    Bom fim de semana e boas leituras!

    ReplyDelete
    Replies
    1. Qual foi o livro que leste? :) Gostava mesmo de ler outro de Afonso Cruz :)

      Beijinhos e obrigada por partilhares a tua opinião! <3

      Delete
  4. Sou fã de Afonso Cruz, considero-o um dos melhores autores nacionais da actualidade mas este livro desiludiu-me um pouco. Não é mau mas na minha opinião está longe dos seus melhores. Para mim, o melhor dele (e um dos melhores livros que já li na vida) é Para Onde Vão os Guarda-Chuvas? É maravilhoso...

    ReplyDelete
    Replies
    1. Sim! Já me recomendaram esse antes :). Tenho de o ler. Obrigada pela sugestão!

      Delete